CULTURA DE LADRÃO? Juca Kfouri lembrou uma história que resume a cultura política da CBF: um antigo presidente da entidade teria feito um “gato” para o vizinho pagar sua conta de luz. Não é só folclore. É o retrato de uma estrutura acostumada a tratar o futebol brasileiro como propriedade privada.
"Algum tempo atrás, dois anos talvez, dois anos e meio atrás, alguém me disse, olha, o Zé Maria Marim fez um gato numa instalação elétrica no apartamento dele pra não pagar contas de luz, e o vizinho de baixo que tava pagando. Eu falei, não é a menor hipótese, né? Eu falei, entrou por aqui, saiu por aqui, eu falei, não, não, aí, aí, chega. Já tinha havido o episódio da medalha que foi público, eu imputei aquilo ao fato dele ser já uma pessoa de idade, eventualmente ele sofreu de cleptomania, enfim, eu, não, não, não, não, não, não, aqui não. Seis meses depois eu ouvi de uma outra fonte circunstanciada, detalhada, de novo a história do gato de electricidade. Aí com o nome de quem teria sido a vítima deste gato, um empresário que todos os senhores conhecem, Doutor Paulo Cunha, presidente do grupo Ultra. Liguei pro Doutor Paulo Cunha, ele não me atendeu, atendeu o assessor, e eu pedi ao assessor que perguntasse ao Doutor Paulo Cunha se era verdadeiro o episódio que me havia chegado desta maneira, que ele durante meses, durante seis meses havia pago uma conta de luz, achando muito alta, até que um dia perguntou pro vizinho o quanto o vizinho pagava, o vizinho pagava cinco vezes menos, aí ele quis saber, chamou lá um técnico e descobriu que havia um gato, ele havia comprado o apartamento de baixo do próprio José Maria Marim, que morava em cima. O assessor dois dias depois me liga confirmando a informação. Doutor Paulo Cunha diz que é exatamente verdade. Eu publiquei, José Maria Marim me assinou na justiça. Doutor Paulo faz questão de ir, e vai depor em cadeira de roda. Doutor Paulo chega, José Maria Marim presente, seus advogados, eu. Doutor Paulo chega com a voz fraca e diz a um microfone semelhante a esse. O jornalista só se enganou num aspecto. Não foram seis meses que eu paguei essa conta, foi durante um ano e meio. Aí o advogado pergunta, e o senhor foi ressarcido? Jamais o Doutor Marim falou em ressarcimento. Esse era o presidente da CBF. Esse era o presidente da CBF. Esse era o presidente que escolhe o técnico, que comanda a seleção brasileira. Esse era o presidente."
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CULTURA DE LADRÃO? Juca Kfouri lembrou uma história que resume a cultura política da CBF: um antigo presidente da entidade teria feito um “gato” para o vizinho pagar sua conta de luz. Não é só folclore. É o retrato de uma estrutura acostumada a tratar o futebol brasileiro como propriedade privada.