Adriana Araújo, gigante, detonando os ataques machistas, misóginos e o discurso de ódio que os fãs do Neymar estão direcionando às mulheres que o criticam.
"Cedo, eu li uma coluna, um texto da colonista da Folha de São Paulo, a Joana Moura, e ela citou que ela ousou criticar o Neymar e aí choveram críticas para cima dela nas redes sociais de... O comentário é, vai lavar louça, vai pra pia, esse tipo de comentário. Eu falei, uai, não foi só comigo então. Acontece com várias. Ah, Ana Thais Matos, que é especialista no assunto e que trabalha com esporte, a gente também sofreu essa, publicamente, todos nós sabemos, sofreu aí os ataques, as violências verbais e dos... Eu nem sei se eu posso chamar de fãs, porque o tipo de discurso é de ódio, é tão grande, que não parece fã-clube do Neymar, parece milícia do Neymar. Eu só queria dizer pra vocês o seguinte, sim, como qualquer brasileiro, eu, em Copa do Mundo, falo como jornalista, mas também como torcedora. Assim como a Joana Moura, também fala, não como uma especialista, mas como uma pessoa que se dá o direito de torcer e opinar em futebol, como todos os brasileiros têm direito. O que eu me impressiono é com o ódio que é destilado e com o tom machista. Vai lavar louça, vai pegar uma pia cheia de vasilha, vai lavar roupa, vai procurar homem. E fora isso, é o discurso de ódio etarista, que é chamar de velha. Então, o homem que faz isso, eu facilmente ignoro, porque assim, as pessoas sabem o lado que eu tenho nessa história. E eu tenho um lado em que as mulheres e os homens se respeitam e estão em igualdade de condições perante a lei, como determina a nossa constituição. Agora, o que me impressiona são as mulheres que referendam um tipo de discurso desse. Mas nessa hora, de fato, 54 anos ajudam. Porque você torce e pensa assim, tomara que elas vivam e tenham tempo de entender e de aprender. Porque o discurso machista de ódio, o discurso machista, etarista, está na base do discurso de quem consegue achar naturalizar, achar aceitável a agressão, a violência, o menosprezo às mulheres. Então assim, ainda que eu sou do time que não dá palco para maluco, eu achei importante dizer isso para as mulheres. A mulher que referenda uma fala machista de ódio é uma mulher que está, ao fazer isso, se colocando na condição da vítima ideal. A vítima da agressão, a vítima do ataque. Porque, além de tudo, ela referendou o ódio machista que muitas e muitas vezes nesse país mata, ofende, ameaça e agride mulheres. Então a idade tem dessas vantagens. Então quando alguém fala assim, está velha, sim, 54, quero ficar mais, quero chegar aos 90 e poucos. Mas a idade traz uma coisa importante, reflexão. Tomara que as mulheres que hoje endossam esse discurso machista da milícia do Neymar consigam ter tempo para refletir, refletir, para envelhecer e refletir sobre o tema. Fará um bem danado para cada uma de vocês."
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Adriana Araújo, gigante, detonando os ataques machistas, misóginos e o discurso de ódio que os fãs do Neymar estão direcionando às mulheres que o criticam.